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Artigo

Se a escravidão ainda existisse, CNI seria contra o fim dela

Publicado: 27 Maio, 2026 - 00h00 | Última modificação: 02 Julho, 2026 - 12h57

Você sabe quais as semelhanças entre a entrada em vigor nessa terça-feira (26/05) da atualização da Norma Regulamentadora número1 (NR1) e o fim da escala 6 x 1? 
Quem é contrário a elas.

Nessa segunda-feira feira (25/05), os movimentos sindical e sociais estiveram nas ruas em diversas capitais do país para lutar pelo fim da escala 6 x 1. Mas, ao falar dessa maneira, soa como algo muito burocrático.

Diversas organizações sindicais, entre elas, o SindSaúde-SP, se mobilizaram para defender o mínimo de dignidade para quem trabalha e gera o lucro que é embolsado pelos empresários. 
Tempo para conviver com a família, que os patrões tanto dizem defender. Tempo para o lazer, para podermos descansar e até para estudar, afinal, não é isso que eles falam que falta ao trabalhador e à trabalhadora? Preparo? E como se prepara sem ter tempo nem para respirar?
Falemos sobre outra conquista nossa. Entrou em vigor nessa terça-feira (26) a atualização da NR 1, que passa a incluir na fiscalização sobre segurança os chamados riscos psicossociais. 
Na prática, questões que afetam a saúde mental, como assédio moral, jornadas excessivas, pressão descomunal pela produção passam a ser tratadas como devem, encaradas como riscos à saúde de profissionais em todas as áreas de atuação. 
Mas, tanto em relação ao fim da jornada 6 x 1, quanto à NR1, os patrões têm se colocado contra. 
No caso da 6 x 1, a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) criticou o prazo de 60 dias para implementar uma jornada decente. Em relação à NR 1, pressionou para que a fiscalização tivesse caráter apenas orientativo por 90 dias.

Será que alguém precisa ser orientado e convencido de que a violência no local de trabalho não deve ocorrer depois de tantos anos de trabalho por parte dos sindicatos alertando sobre isso?

Beira o inacreditável que em pleno 2026 tenhamos que reafirmar, o lucro dos patrões não pode estar baseado na degradação das pessoas, na destruição da vida, no adoecimento físico e mental. 

Quando os empregadores reafirmam precisar de tempo para adaptar o ambiente de trabalho a uma rotina decente, percebemos como o modelo que construíram é nocivo à vida. Quando esses mesmos empregadores se colocam contra mudanças que ofertam o mínimo, percebemos que a responsabilidade social que tanto pregam é só uma mentira presente em campanhas publicitárias.

Não tenho dúvidas, se ainda vivêssemos em um regime de escravidão no Brasil, a CNI certamente seria contra a abolição dela, sob a justificativa de que a mudança afetaria os ganhos que vão para o bolso dos empresários e seus aliados.

Acorda, trabalhador, reage, trabalhadora! Patrão é patrão, empregado(a) é empregado(a) e quem está ao seu lado é o sindicato. E fique atento, porque quem está com eles no Congresso são os parlamentares da direita. Quem defende patrão contra empregado é inimigo da classe trabalhadora e não merece seu voto!

 

 

Gervásio Foganholi, secretário de Relações Internacionais da CNTSS/CUT e presidente do SINDSAÚDE-SP

 

Fonte: Sindsaúde SP